Palestras debatem a modernidade do sindicalismo, pirataria e o varejo do futuro 
A tarde do primeiro dia de palestras do 35º Congresso Nacional de Sindicatos Empresariais do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNSE), que acontece no Centro de Eventos do Ceará, levou aos participantes os temas: Inovação e Sustentabilidade Sindical, Pirataria e os Danos Causados ao Comércio e Painel: Varejo do Futuro.
Eduardo José Perone, especialista em governança e estratégia, provocou todos a refletirem sobre um novo modelo para o sindicalismo patronal, mais moderno e adequado à sociedade atual. De acordo com ele, a proposta de reorganização da estrutura sindical do Brasil é necessária, lembrando que o modelo vigente é da década de 30, do governo do então presidente Getúlio Vargas.
“A verdade é que nos acomodamos. A reforma de 2017 mexeu na organização sindical, tirou a contribuição obrigatória, desarticulou os sindicatos e não estávamos preparados para enfrentar esse novo modelo”, ponderou. De acordo com Eduardo Perone, a página foi virada e o modelo getulista, da década de 30, está defasado. “Agora é o modelo contemporâneo, o novo sindicalismo. Estamos vivendo a era da liberdade, da democracia e do poder do indivíduo na sociedade”, explicou. Isso significa, segundo ele, um associativismo com mais leveza, agilidade, praticidade, economia, simplicidade e consistência. Também é necessário, de acordo com Eduardo Perone, trazer o associado para dentro da organização sindical e tratá-lo como cliente, valorizando o seu papel.
O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Ceará (Simec), Sampaio Filho, pontuou que o sindicalismo patronal tem força e pode proporcionar melhorias para seus associados, mas para isso, destaca, é necessário ouvir os principais gargalos e procurar parcerias.
Pirataria e varejo no Brasil 
O segundo painel trouxe a problemática da pirataria para o comércio formal. João Gomes, diretor executivo do Ifec, da Fecomércio do Rio de Janeiro, apresentou uma pesquisa feita no estado fluminense sobre a pirataria, informando que 2,43 milhões de pessoas adquiriram produtos piratas no último ano.
De acordo com João Gomes, o mercado ilegal reduz o faturamento das empresas e afasta o consumidor do comércio legal, prejudicando a atividade comercial como um todo. João Gomes defendeu um debate constante sobre o tema, e incentivou as demais federações a pesquisarem, nos seus estados, os números da pirataria.
A última palestra do dia trouxe Renato Meirelles, comunicólogo, escritor e presidente do Instituto de Pesquisa Locomotiva, para falar sobre o Varejo do Futuro no Brasil. O expositor começou a apresentação fazendo um convite para que, por trás de cada número que fosse mostrado ali, todos lembrassem que existe a história de milhares de brasileiros, com suas conquistas e lutas diárias.

Para discutir sobre a relação entre as estratégias que as empresas de varejo vêm adotando no País e o público consumidor potencial, Meirelles mostrou uma série de estatísticas a respeito da população brasileira, incluindo dados sobre renda e hábitos de consumo e desfazendo alguns mitos sobre o assunto. Ele também falou sobre como a última crise mudou a relação das pessoas com o consumo e da necessidade de reverter algumas dessas novas atitudes: “consumir, antes de tudo, precisa voltar a ser uma atividade prazerosa, ser encarado como investimento e não despesa”. O palestrante também chamou atenção para o risco que as empresas assumem a não acompanhar essas mudanças no perfil dos clientes. “Muitas empresas erram quando tentam enxergar o consumidor do século XXI com os olhos do século XX”, alertou.